21 de abril de 2012

A noite















       Tenta dormir. Pela milésima vez, vê o seu rosto. Acorda assustada, suando frio, mas não desperta. Aquela imagem resiste aos olhos abertos. Deus, definitivamente, parou de escutar as suas preces. Oito meses se passaram e ele permanece. Já cortou encontros, telefonemas, palavras escritas e outras dores. Tudo em vão: “o passado não passa”, disse o poeta. A ponte rachou e ela continua no mesmo lugar. Não consegue vislumbrar outro caminho. A noite a invade. Ela se fecha em seu canto e veste os frios lençóis. Tenta dormir.

18 comentários:

  1. Texto belo que comove, Lidi; nele perpassam duas coisas indissolúveis e que se unem como prece: amor e solidão. Bjos

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    1. Obrigada pelo comentário, Aero. Fiquei feliz por você ter gostado do meu texto. É isto: amor e solidão. Bjs

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  2. muy bueno, lidi
    o passado não passa porque ele é tudo que nós temos

    hasta luego

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    1. Que bom que gostou, amigo Thadeu. Bjs

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  3. A noite como pano de fundo sobre uma questão existencial pelo ente, na solitude em si. Saudações minhas.

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    1. Obrigada pela leitura, Claudio. Um abraço.

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  4. Uma amiga psicanalista costuma dizer: "Tudo passa, mas antes passa pro corpo todo". Brincadeiras a parte, Lidi, estou aqui pra dizer da beleza do seu texto. Bjs.

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    1. Obrigada, M. Bom saber que encontrou beleza nas minhas palavras. Saudades de você. Bjs

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  5. Lidiane,

    Outro texto da sua lavra bem construído. Nele predominam as notas de melancolia, apesar da lua cheia ilustrando o texto, pois o binômio, noite e quarto, denuncia o estado de privação do sujeito, não deixando outra escolha ao criador, senão essa atmosfera. O campo semântico se encaixa como uma luva na tensão dramática a partir do espaço/tempo configurados nas palavras essenciais apontadas. É um texto curto, mas vigoroso, como tem sido a tônica dos textos postados no seu blogue. Perdido o Outro, é importante que o Eu não se perca, sabendo decantar o que aquele já proporcionou.

    Abr.,
    José Carlos

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    1. José Carlos, é sempre uma enorme alegria receber as suas generosas palavras. Obrigada pela leitura atenta, pelo comentário e por mais uma poesia dedicada a mim. Um abraço.

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  6. Cada vez mais me convenço que a noite nos quer acordados.
    beijosss

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  7. Lidi,

    Esse texto fez-me lembrar deste pensamento de Nietzsche, no seu livro "Além do Bem e do Mal", nº 158, Editora Escala, 2ª ed., São Paulo, 2007, p. 91:

    "Não é somente nossa razão, mas também nossa consciência, que se submete a nosso instinto mais forte, aquelo que é o tirano em nós."

    Abraços,
    Pedro.

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    1. Obrigada, Pedro, pela visita ao Deslocamentos. Bacana saber que o meu texto fez você lembrar de Nietzsche. Um abraço.

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  8. Que beleza ler palavras organizadas de forma tão poética transmitindo sentimentos que todo mortal já deve ter um dia experimentado.

    Abração

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    1. Obrigada, colega. Volte mais vezes. Bjs

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  9. "Perdido o Outro, é importante que o Eu não se perca, sabendo decantar o que aquele já proporcionou."

    O José Carlos, no trecho reproduzido acima, soube expressar muitíssimo bem o aconcelhamento aos que se corroem, presos em seus corpos, por uma dor que o tempo não leva...é atemporal e insistente. Quem dera sejamos sábios para tornarmos realidade o que o José falou...sabedoria dolorosa, domorada, sutil e triste.
    Grande abraço Lidi!

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    1. Sim, o José Carlos tem razão. Mas tem sido tão difícil seguir o seu conselho. Obrigada, Sandra, por tuas palavras. E é sempre um prazer te receber neste meu canto. Um grande abraço.

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