25 de outubro de 2009















(IN)DECISÃO

Como um peregrino,
eu sigo.

No meio do caminho:
duas rotas

e meu olhar vago,
perdido. 

10 de outubro de 2009


Aqui estou para compartilhar com vocês mais um texto. Agora, de uma amiga super talentosa.  No entanto, ela prefere não ter a sua identidade revelada. Então, escreverei apenas o seu pseudônimo: em.dor.fina.
















Bolhas de sabão e desejo

É um exercício constante. Chego em casa e paro em frente à minha coleção. Escolho uma. E bebo. Engulo todo o líquido, que desce ardendo pela minha garganta. Talvez seja a dor. Ou o sabão. As bolinhas, elas, o motivo pelo qual me embriago, saem uma a uma pela boca. Pequenas, grandes, médias. Torpe, vejo meus desejos. Coloridos, leves, transparentes, bonitos, eles voam. Vão para o alto. Cada um com a sua bolinha. E eu, parada, tonta, entrego-me àquela dança. E rio. E quanto mais rio, mais bolinhas me atravessam a garganta. E dançam. E depois estouram-se todas no ar. Porque vem a sede. E a água serve apenas para diluir os desejos que não se pode sentir só. E a dança que não se baila só. Tampouco o riso, que, quando dado só, perde a graça com o tempo. Que nem a bolinha, que antes de estourar fica cinza. E sem brilho. Pra sumir de cansaço.


24 de setembro de 2009




Sou mesmo uma pessoa privilegiada. Estou rodeada de amigos talentosos. Há alguns dias atrás, meu amigo e padrinho, Thiago Lins, me mostrou mais um de seus poemas. Bom, talvez seja um conto. Conto-poema ou poema-conto. Não sei definir bem. Nem ele. Mas isso é o que menos importa. O fato é que me encantei pelo que li e resolvi compartilhar com vocês. Uma forma, também, de homenagear ao meu amigo e expressar o carinho e a enorme admiração que nutro por ele.

GOTAS

I

Fim de tarde.
Uma mulher caminha na esquina.
Pára.
Detém-se frente à vitrine.
Um relógio.
Relembra.
1975.
Rostos colididos.
Um sorriso, um convite.
Uma entrega.
Dia seguinte.
Mário traz flores.
Ela sorri.
Numa certa noite, ele olha para o relógio.
Precisa ir.
Cedo?
Não, tarde.
Um compromisso, ele diz.
Ela sorri mais uma vez.
Num certo dia, Mário não se encontra mais em casa.

II

2005.
As nuvens comungam.
Ameaça chover.
Olha rápido para o relógio.
Precisa ir.
Demora-se mais um pouco.
Caminha.
Caem as primeiras gotas.
Que bailam com as primeiras lágrimas.

30 de agosto de 2009




Máscaras

Um sorriso disfarça a dor
e esconde segredos:
solidão, desespero, medo.

Uma palavra dissimula
e guarda no peito
uma alma que sonha:
lágrimas poucas, exaustas, anônimas.


15 de agosto de 2009


Pacto de Sangue (Billy Wilder)



Na terça-feira passada, foi o meu aniversário. Apaixonada por cinema e literatura como sou (e meus amigos sabem disso), ganhei alguns livros e filmes. Hoje, assisti - com mais três amigos - a um desses filmes (presente do mestre e amigo Mayrant Gallo): Pacto de Sangue, dirigido por Billy Wilder e com roteiro de Wilder e Raymond Chandler. Baseado no livro Indenização em dobro de James M. Cain, Pacto de Sangue conseguiu prender a minha atenção tanto quanto os filmes hitchcockianos.

O filme começa com o corretor de seguros Walter Neff (Fred MacMurray) chegando à empresa na qual trabalha, sentando à mesa do chefe e confessando que matou um homem por dinheiro e por uma mulher, mas não conseguiu o dinheiro, nem tampouco ficou com a mulher. Assim, o filme se inicia revelando o seu final, o que prova o fato de que o que mais importa numa narrativa não é o que nela acontece, mas como acontece. Nas primeiras cenas já sabemos qual será o término do filme, mas ele nos envolve de tal forma, que ficamos ávidos em acompanhar a história até o último momento. E o constante suspense, para mim, chega ao ápice na cena em que Neff recebe o chefe e amigo Keyes (Edward G. Robinson) enquanto espera pela Sra. Dietrichson (Barbara Stanwyck), mulher sedutora e calculista por quem se apaixona.

Considerado o primeiro filme noir, Pacto de Sangue desenvolve uma trama que mistura amor, amizade, sedução, sexo (ainda que apenas sugerido), adultério, crime. Um filme com diálogos ácidos e primorosos. O mesmo se pode dizer da narração in off feita pelo protagonista, Walter Neff, na qual podemos ouvir, por exemplo: Não conseguia ouvir meus próprios passos. Era a caminhada de um homem morto. Sem esquecer da pitada de humor, na figura do analista de seguros Keyes e seus pressentimentos (seu homenzinho infalível), seu faro para assassinatos.

Também chama a atenção a bonita amizade entre Neff e Keyes, motivo pelo qual Keyes, que nunca falhou com seus pressentimentos, jamais desconfiou de Neff: - Sabe porque não conseguiu solucionar este caso, Keyes? Vou lhe contar. Porque o cara que procurava estava muito próximo. Ele estava na frente da sua mesa. - Ele estava mais próximo do que isso, Walter. - Eu também te amo. E aquela inversão no desfecho do filme: Keyes que sempre tinha seu cigarro acendido por Walter, é agora quem acende, provavelmente, o último cigarro do amigo. É a ironia final.

Dizem que o próprio Hitchcock, ao assistir a este filme, afirmou ter encontrado, enfim, em Billy Wilder, alguém que pudesse fazer par à sua obra. Se ele disse isso, quem sou eu para discordar do velho Hitch?

5 de agosto de 2009


Um encontro especial
...



Obrigada aos artistas, colegas organizadores, monitores e participantes, pela maravilhosa presença. Foi um enorme prazer contar com vocês.

16 de julho de 2009




Impulsos

Vontade de fazer poesia.
Escrevo e sinto-me livre, única,
movida por um dom supremo,
e menos mortal.

Mas, uma enorme dúvida:
Meus versos, realmente, o que são?

Penso, às vezes, que não passam
de meros impulsos sem arte.
Mas, se indagares de mim a verdade,
juro não saber a resposta.

E mesmo agora, neste momento em que me lês,
continua o mistério.
Talvez eu seja poeta, talvez não,
mas que importa isso?
Estamos vivos, e ler é só um remédio.