16 de maio de 2011












QUEDA

Hoje, acordei
me sentindo um cristal
caído no chão,
partido em pedaços.

E, de repente percebo,
com enorme cansaço:
sequer tenho forças
para recolher
os cacos.

6 de abril de 2011




IDEAÇÃO*

Lápis e caderno
na cabeça,
poesia e sentimento
nas mãos.

post Glauber Rocha




* Poema escrito por
Adriano Alves, que mantém o blogue Sapere aude.

21 de fevereiro de 2011














Conversas do Sertão

Agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho, pois são pessoas mais do que especiais. Acabo de receber uma belíssima homenagem do meu amigo escritor Rubervânio Lima, o Rubinho. Está no Conversas do Sertão, o blogue dele. Ainda estou emocionada. Nem sei como agradecer tamanho carinho.

5 de fevereiro de 2011

Fahrenheit, o último Portal

 
Depois de três anos e seis publicações - Solaris, Neuromancer, Stalker, Fundação, 2001 e Fahrenheit - o projeto Portal chega ao fim, mas não sem antes ter dado o seu recado. Com o escritor Nelson de Oliveira na coordenação, vários escritores - entre eles o meu amigo Mayrant Gallo - provaram que a science fiction não é um gênero menor, apesar do preconceito de alguns "críticos". Pelo contrário, a FC nos revela - através de metáforas -  um mundo mais evoluído e, ainda assim, não tão distante do nosso.  É um belo exercício de reflexão, que nem todo "altor" (neologismo, criado pelo Gallo, para designar quem pratica "alta" literatura), que despreza a FC, seria capaz de nos proporcionar.

30 de janeiro de 2011

















EPIFANIA

Me vesti de primavera,
pintei o meu rosto
e fui sorrindo
me encontrar.

Você depositou em mim
o teu olhar seguro,
adormeci nos teus braços
e, só assim,
pude sonhar.

Sonhei que era uma rocha
pronta a enfrentar
a correnteza do rio.

Mas uma brisa passou
e eu despertei:
nua, sentindo frio.

21 de janeiro de 2011

Hoje, recebi de presente, do meu amigo Ricardo Thadeu, um poema. E a minha forma de agradecer ao poeta é deixando registrado aqui os seus versos:

MAR
para Lidi Nunes

uma onda de gente
...
geme enquanto nada

(...)


no ônibus lotado,

permaneço atado
a meu próprio leme

Ricardo Thadeu
é mais um jovem poeta participante do projeto Sangue Novo.

9 de janeiro de 2011

Aqui estou eu para divulgar mais um blogue. Desta vez, da amiga Érica Azevedo, excelente poeta, na minha humilde opinião. Érica estudou comigo durante 5 anos, na UEFS. Ela sempre me mostrava os seus poemas e eu lhe mostrava os meus rabiscos. Era uma troca, um constante diálogo. E até hoje é assim. Mas, agora, depois de muito adiar, minha amiga Érica resolveu sair em busca de Outros diálogos. Para que vocês conheçam o talento dessa  jovem, e como agradecimento, publico aqui o poema que ela, generosamente, me dedicou:

Borboletar
Para Lidiane Nunes
       
Como uma borboleta
sinto o cheiro do ar
que impulsiona
e leva para lá,
para (além do) cá...

Mas só em pensamentos consigo saltar
e somente por instantes a sensação de voar
livra-me da condição
de ser
e do peso de estar.

Érica Azevedo - assim como eu - está entre os 21 participantes do projeto Sangue Novo, coordenado pelo poeta José Inácio Vieira de Melo. 

2 de janeiro de 2011


"Os homens, ainda que possam se querer bem, permanecem sempre distantes. Se alguém sofre, a dor é totalmente sua, ninguém mais pode tomar para si uma mínima parte dela. Se alguém sofre, os outros não vão sofrer por isso, ainda que o amor seja grande, e é isso que causa a solidão da vida."

BUZZATI, Dino. O deserto dos tártaros. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

23 de dezembro de 2010














Leituras cósmicas: Portal 2001 e a nova ficção científica brasileira

Coordenado pelo escritor e ensaísta Nelson de Oliveira, o Projeto Portal é uma série de revistas que tem contribuído expressivamente para a valorização de um gênero literário ainda desconhecido para muitos leitores: a ficção científica.

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7 de dezembro de 2010















Naquela estação
Composição: João Donato / Caetano Veloso / Ronaldo Bastos

Você entrou no trem
e eu na estação
vendo o céu fugir
Também não dava mais
para tentar
lhe convencer
a não partir

E agora, tudo bem
você partiu
para ver outras paisagens
E o meu coração embora
finja fazer mil viagens
fica batendo parado
naquela estação

27 de novembro de 2010

Coleção NOVA LETRA

Com muita alegria, venho anunciar o lançamento - que acontecerá na noite do dia 2 de dezembro, durante a 9ª Semana de Letras da UEFS - do primeiro livro solo do meu amigo Thiago Lins, intitulado Gotas. Trata-se de uma publicação do selo Nova Letra, do Museu de Arte Contemporânea, de Feira de Santana, que privilegia autores locais. Será um livrinho modesto, todavia, muito especial. 

Thiago é o meu padrinho de formatura e um amigo como poucos, um amigo que quero cultivar eternamente, além de ser um ótimo escritor de poemas e minicontos. Abaixo, uma pequena amostra da prosa do autor:



QUIETUDE
 
Uma quietude tomara conta do lugar. Aos poucos, as pessoas entravam e se aproximavam de mamãe. Estendiam os braços, e ela, um tanto trêmula, fazia o mesmo. 

Enquanto os cumprimentos se sucediam, encaminhei-me até papai. Ele estava bem vestido. O caixão, bem ornamentando.  

Mamãe continuava a receber cumprimentos. E em meio à quietude que tomara conta do lugar, papai soltou um longo suspiro de insatisfação.

30 de outubro de 2010



DEUS
Para Mayrant Gallo

A única crença
que me resta.

25 de outubro de 2010













Mario Quintana e o cânone: um reconhecimento tardio

Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete, Rio Grande do Sul, no dia 30 de julho de 1906. Estudou os primeiros anos em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde publicou as suas primeiras produções literárias. Além de ter trabalhado cinco anos em farmácia paterna, foi empregado de vários jornais. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal. Em 1940, lançou o seu primeiro livro de poesias, A rua dos cataventos, iniciando a sua carreira de escritor. 

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13 de outubro de 2010

















CHUVA

Contemplava a tempestade. Sempre gostou de fazer isso. Sentia-se bem. Limpa. Mas, naquele domingo, o que para ela era uma espécie de ritual, tinha um significado maior. Estava prestes a tomar a decisão mais difícil de sua vida. Passou a noite escrevendo. Agora se encontrava ali, parada, os olhos vidrados na janela. Enfim, moveu-se. Caminhou até a cozinha, abriu uma gaveta. Depois de alguns segundos, estava no quintal, tomando banho de chuva, purificando-se, lavando o vermelho que escorria de suas mãos.

10 de outubro de 2010















O SOL POR TESTEMUNHA

Adaptação livre do romance policial O talentoso Ripley (1955), de Patricia Highsmith, o filme O sol por testemunha (1959), dirigido por René Clément, promove no espectador um deslocamento e uma subversão: o ponto de vista é o de um assassino, e estranhamente não o repudiamos.
Tom Ripley (Alain Delon) faz um acordo com um milionário, que deseja o filho, Philippe Greenleaf (Maurice Ronet), de volta aos EUA. Ripley aceita a missão em troca de uma generosa quantia. Parte, assim, para a Itália, onde Philippe vive com a namorada, Marge (Marie Laforêt). Philippe é um típico playboy, que não tem muitas preocupações, a não ser a de gastar dinheiro e curtir a vida. Ripley, por sua vez, é um jovem pobre, mas com inúmeras habilidades, como, por exemplo, o grande talento em imitar a voz e os gestos de uma pessoa, bem como o de falsificar assinaturas. Philippe apenas tolera Ripley enquanto este o serve como um brinquedo, enquanto o diverte. Finda a brincadeira, é preciso colocá-lo em seu devido lugar. O tempo todo Philippe humilha o "amigo", chegando ao ponto de deixá-lo, por várias horas, exilado num bote amarrado ao barco em que estavam, sob um sol escaldante, causando-lhe forte insolação. Ripley, cínico e com a fina ironia que lhe é peculiar, finge não se importar com isso. No entanto, como já invejava Philippe, sua fortuna e sua namorada, vê neste fato a justificativa perfeita para o plano que tinha arquitetado: matar Philippe. E ele o faz, tendo o sol mediterrâneo, às suas costas, como a única testemunha. E em lugar da escuridão da noite, o sol inclemente, quase branco de tão intenso: o que representa uma quebra de regra do que se convencionou chamar de cenário ideal para um filme noir.
Ripley assume, então, a identidade de Philippe, toma posse dos seus bens e conquista a sua namorada, Marge. Tudo perfeito, se não fosse por um pequeno detalhe: ter deixado um vestígio do crime: o corpo de Philippe, emaranhado ao casco do navio, e que será descoberto no desfecho do filme. Na referida sequência, Tom Ripley está na praia e é chamado para atender a um telefonema, sem saber que policiais o esperam. Não é necessário explicar o que vai acontecer depois disso. O espectador já sabe. Por isso, o desenlace é apenas sugerido. Sugerido, pois Ripley, destro e escorregadio, é capaz também de se esgueirar da polícia. Portanto, o final é aberto.
 Além de uma envolvente história policial, O sol por testemunha conta com uma bela fotografia e excelentes atuações, com destaque para o francês Alain Delon. E, como já foi dito, nos acontece uma estranha transformação ao assistir a este filme: criamos uma forte empatia com o criminoso, não conseguimos sentir raiva de Tom Ripley. Contemplamos seus atos até com certo pesar, sem dúvida, mas sem detestá-lo, condescendentes; talvez devido à sua beleza e ao seu charme, que, no caso, são de Alain Delon. É, talvez.